segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Bati com toda minha força o braço no piano e coloquei as mãos no meu rosto.
Como de costume fechei os olhos e gritei "Não, está tudo errado." Era difícil, sempre foi.
Apresentar-se sozinha na frente de todo mundo é um trabalho difícil... mas as notas, o tempo,
o dedilhado, tudo estava errado.
Respirei, tentei tocar tudo de novo e não consegui, tudo errado. De repente desceu uma lágrima que caiu em uma das teclas do piano. O sombra do medo de não conseguir tinha voltado a me perseguir, eu tentei ser forte mas as vezes é inevitável lembrar o quanto te falaram que você não iria conseguir. Comecei a chorar mais.
Pensei em tudo que eu já tinha o privilégio e o azar de ter a experiência, pensei que eu iria tentar fazer igual ao que eu fazia. Mas é difícil, eu não queria, mas as vezes choro porque certas horas parece que eu não irei conseguir.
Parei, olhei para o piano. Eu não iria desistir agora, não é fácil subir naquele palco, mas cada aplauso é gratificante. Não. Eu tentei de novo, nada vai ser fácil. E mais uma vez toquei a primeira nota da música, torcendo para que a última nota chegasse perfeita ao fim.

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